Prece do Brasileiro
Meu Deus, só me lembro de vós para pedir, mas de qualquer modo sempre é uma lembrança. Desculpai vosso filho, que se veste de humildade e esperança e vos suplica: Olhai para o Nordeste, onde há fome, Senhor, e desespero rodando nas estradas entre esqueletos de animais. Em Iguatu, Parambu, Baturité, Tauá (vogais tão fortes não chegam até vós?), vede as espectrais procissões de braços estendidos, assaltos, sobressaltos, armazéns arrombados e — o que é pior — não tinham nada. Fazei, Senhor, chover a chuva boa, aquela que, florindo e reflorindo, soa qual cantata de Bach em vossa glória e dá vida ao boi, ao bode, à erva seca, ao pobre sertanejo destruído no que tem de mais doce e mais cruel: a terra estorricada sempre amada. Fazei chover, Senhor, e já!, numa certeira ordem às nuvens. Ou desobedecem a vosso mando, as revoltosas? Tudo é pois contestação? Fosse eu Vieira (o padre) e vos diria, malcriado, muitas e boas… mas sou vosso fã omisso, pecador, bem brasileiro. Comigo é na macia, no vel...