A coruja
A madrugada ia pelo meio quando ele acordou com vontade de ir ao banheiro. Ainda tentou dormir de novo, pois a cama estava quente e a noite, fria, mas viu que não ia conseguir. Sonolento, levantou e foi se arrastando pelo quarto e o closet, meio dormindo, até o banheiro. Sentou-se ao vaso e se aliviou. A noite estava tão silenciosa que ele já quase pegava no sono ali mesmo sentado no vaso quando uma coruja, ave de voo silencioso, pousou na janela que estava aberta e soltou seu pio agourento para dentro do cômodo. Naquele silêncio, o pior da coruja foi como uma sirene da polícia sendo ligada. O grito que ele deu acordou até a mulher no quarto, que veio correndo ver o que tinha acontecido para encontrá-lo espantando a coruja aos gritos e fechando a janela, com o coração quase saindo pela boca.